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GERAR PERCEPÇÃO NOS CLIENTES: UM PASSO A MAIS DO QUE SIMPLESMENTE OUVI-lOS

Edvaldo de Farias, MSc.
Professor e Pesquisador da Universidade Estádo de Sã
Consultor em Gestão de Negódos e Treinamento Profissional
Sócio-Diretor da Movimento Humano Treinamento e Desenvolvimento

Dentre os diversos mitos e receitas mágicas disponiveis no mundo business e propostas como panacéia da problemática empresarial fitness, que tem-se mostrado tão ineficaz quanto inconseqüente, é que uma gestão do sucesso é aquela onde a voz do cliente deve ser o fator determinante de um negódo. Esta postura, que submete as empresas as vontades e modismos das pessoas, tem sido responsável por boa parte das falêndas e dificuldades financeiras que assistimos em nossos dias, exatamente pelo fato de que pessoas, seres antropologicamente desejantes por natureza, mudam sempre e em muito maior velocidade do que qualquer organização é capaz de fazê-lo.

Efetivamente temos como referêndas que respaldam estas afirmativas o fato de que empresas triunfadoras não somente no mercado fitness mas de uma forma bem mais abrangente e diversificada assim perceberam a relação com seus clientes exatamente pelo fato de terem definido as estratégias de negócio não a partir das "vontades" e interesses de seus clientes mas sim na dinâmica das relações entre prestadores de serviços, clientes e concorrência, ao que chamamos de mercado. Foram e são vencedoras, ocupando posições de destaque diante dos concorrentes exatamente por terem sido capazes de "perceber" necessidades e, mais do que isso, surpreenderem esses mesmos clientes com serviços inovadores e que tiveram, na perspectiva deles, a capacidade diferenciada de agregar novos valores as suas vidas. Em slntese produtos e serviços que geraram novas e significativas percepções.
Lobos (1993) descrevia a capacidade de gerar encantamento nos clientes como sendo um fator essencial à sobrevivência empresarial sobretudo no segmento de serviços, deixando claro que necessidades e interesses conhecidos já não fazem mais parte de um contexto de inovação mas apenas de manutenção, ou, em outras palavras, não agregam novos valores à relação com clientes. Por outro lado Nóbrega (2004) refere-se a esta relação como sendo algo que, aos olhos dos clientes, somente gera significado se for capaz de acrescentar valores novos à sua vida. Portanto é nitida a necessidade de reinvenção do negócio buscando comunicar novos valores que muito mais do que atender aos clientes surpreende-os, e portanto proporciona a eles novas sensações.

Como exemplo dessa necessidade de transcender aos desejos dos clientes, tomemos como base para uma ilustração os recursos do fax e o telefone celular. Não há registros de movimentos de pessoas reivindicando um aparelho que propiciasse o envio de documentos por via telefônica nem muito menos de telefones que pudessem acompanhar seu dono podendo ser usado em movimento. No primeiro caso serviços de entrega em poucas horas do tipo Sedex eram mais do que bons e atendiam à grande maioria das necessidades de remessas de documentos. No segundo caso telefones sem fio com maiores amplitudes de alcance davam conta desta necessidade na comunicação chamada agora de fixa. Em ambos os casos não triunfou quem simplesmente ouviu os clientes mas sim quem entendeu um outro nivel de necessidades não explicitas e sequer conhecidas por quem as detinha e que foi, por assim dizer, surpreendido por uma solução para um problema que sequer tinha consciênda da existência, ou melhor, que não tinha. O resultado desta nova perspectiva é a explosão dos serviços em telefonia móvel que já nos dias de hoje, em vários pontos do planeta, tende a superar numericamente a telefonia fixa exatamente por ter oferecido aquilo que não era uma necessidade: a portabilidade e mobilidade na comunicação de voz e dados. Em ambos os exemplos estamos falando de algo mais sutil do que meramente ouvir os clientes, falamos de percebê-los em suas minúcias cotidianas.

Com isso, o que estamos tentando explicitar é que muito mais do que ouvidos para os desejos e necessidades declaradas pelos clientes dos serviços em fitness empresas triunfadoras neste segmento têm seu foco orientado para a dinâmica do mercado considerando-o como algo composto por seres humanos e suas relações, antropologicamente desejantes e portanto insatisfeitos com o aqui e agora na mesma medida em que são eternos idealizadores e construtores de novos amanhãs.

Assim, auscutar a dinâmica das relações do mercado fitness passa por desenvolver produtos e serviços que sejam surpreendentes e encantadores aos olhos de quem os compra, o que significa investimentos constantes e significativos em inovações geradoras de novos significados e valores, o que gera novas percepções sobre os serviços e seus prestadores e que somente é possivel a partir do momento em que desenvolva-se nestas empresas uma cultura da busca constante por conhecer com maiores níveis de profundidade hábitos, comportamentos, preferências e particularidades de cada cliente, o que é muito diferente do simples perguntar a ele o que desejaria ter ofertado em termos de produtos e serviços.

Seguindo este raciocínio, entendemos que não é o cliente fitness a pessoa mais indicada para definir o que de novo deve ser oferecido pelos seus prestadores de serviço, mas sim estes devem ter como diretriz estratégica buscar no dia-a-dia da relação identificar demandas não atendidas, necessidades implicitas e sobretudo lacunas na relação que abrem espaço para uma oferta da concorrência exatamente naquilo que precisava ser feito mas ninguém fazia. Um job to be done que nada mais é senão um trabalho que reunia todas as condições para ser feito mas que ninguém o fazia criando assim demandas potenciais.

Mas afinal qual o sentido desta mudança de perspectiva? Não basta apenas ouvir o cliente? É preciso perceber e conhecer mais sobre ele e suas sutilezas, pra que?

Tomando como premissa a idéia de que uma empresa deve ter como objetivo prescípuo fazer com que seus clientes transformem-se na sua força de venda movida pela satisfação e encantamento com seus produtos e serviços, na medida em que este incorporou à sua vida os serviços pelos quais está pagando. Neste caso, um cliente fitness seja sua prestadora de serviços uma academia, estúdio ou algo semelhante, não passa a comprar o dobro apenas pelo fato de estar plenamente satisfeito com o que está recebendo tal qual faria com uma lanchonete, sendo assim muito pouco provável que comprasse 2 (dois) planos semestrais como forma de demonstrar sua gratidão pela qualidade dos serviços prestados. A satisfação neste caso manifesta-se de outra forma e uma vez satisfeito este cliente passa a desempenhar outros papéis, como INICIADOR e INFLUENCIADOR na compra de terceiros, parentes e amigos, o que segundo Kotler e Armstrong (2002) define um comportamento do consumidor agora transformado em Cliente Defensor dos serviços a ele prestados.

Neste caso ele passa a compor efetivamente uma força de vendas paralela de sua empresa e que além de não ter custos paga para sê-lo voluntariamente. Tal idéia nos faz refletir sobre a necessidade de cada gestor ou empresário fitness estar hoje diante da imperativa necessidade de investir maciçamente no encantamento dos clientes ativos da mesma forma que investe na equipe de vendas para aumentar a captação de novos clientes para a empresa, já que nada substitui a ação destes falando bem da empresa, dos serviços e dos profissionais com outras pessoas, que passam a constituir-se em clientes-potenciais. Assim, podemos sintetizar nossa posição em relação a esta temática com a idéia de que para que nossos clientes nos vendam a potenciais clientes precisamos dar aos primeiros "momentos mágicos", evitando a todo custo "momentos trágicos", o que de maneira ainda bastante significativa observamos no dia-a-dia de nossas empresas fitness e nas empresas de serviços em geral, das operadoras de tv's por assinaturas as concessionárias de serviços públicos.

Desta forma em hipótese alguma propomos aqui deixar de utilizar as estratégias sistemáticas de ouvir clientes e saber o que estão achando, pensando e sentindo. O que não devemos, e ai reside a questão aqui abordada, é fazer apenas isso. Da mesma forma é preciso deixar de lado a premissa de que se o cliente não pediu é porque não deseja, entendendo por isso que perguntá-lo não é a forma mais eficaz de entregar-the sutilezas que o encante e o faça perceber-nos como diferente dos outros. Com isso a idéia de que "0 cliente é o rei", ainda muito propagada no mundo business, deve ser substituida pela coroação da relação entre ele e seus prestadores de serviço, na qual serão estabelecidos não somente a captação como também a retenção e fidelização, fazendo com que estas empresas sejam orientadas para "durar e crescer" continuamente.

REFERÊNCIAS:

BARÇANTE, C. e CASTRO, G. C. Ouvindo a Voz do Cliente Interno. RJ: QualityMark, 1999.
LOBOS, J. Encantando o Cliente Extemo e Interno. RJ: Júlio Lobos, 1993.
LOVELOCK, C. e WRIGHT, L. Serviços, Marketing e Gestão. SP: Saraiva, 2003.
KOTlER, P. e ARMSTRONG, G. Princípios de Marketing. SP: Prentice Hall, 2002. NÓBREGA, C. A Oênda da Gestão. RJ: Senac, 2004.
Extraído: http://www.edvaldodefarias.pro.br

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